sábado, fevereiro 23, 2008

Parei

Parei. Mas optei por voltar pois, este espaço, reduzido muitas vezes ao meu universo, de uns dois ou três amigos que por aqui passam e de uns não sei quantos incautos, é também um espaço que prezo muito e do qual tenho sentido muitas saudades. Explicar mais do que isto seria repetir outros posts já afixados. Logo, nada mais do que regressar. Nesta pausa que optei por fazer aconteceram muitas coisas na minha vida… Afinal, não são precisos anos para rodarmos a cabeça de pernas para baixo. Vivi momentos extremos, da filha da putice e momentos muitos felizes. Conheci bestas muito más, mazinhas, para quem pessoas são carga para canhão e pessoas extremamente inteligentes que distribuem bondade com as convicções que agarram entre punhos e com a experiência da vida. A estas últimas agradeço bastante por terem aparecido no meu caminho. Quanto às primeiras, deram-me a possibilidade de ser ainda melhor do que elas em vários domínios e esperar…. Mas a vida também é isto, como um tabuleiro em que por vezes várias peças se movem, algumas perdemos, outras ganhamos. Desta vez quase perdi, todavia o que obtive em troca foi algo de tão magnífico que jamais irei esquecer tudo o que acabei por encontrar. A tudo, mais uma vez, o meu mais sincero agradecimento. Quem é o parvalhão que canta ‘what a wonderful world’ ?

quarta-feira, janeiro 30, 2008

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Não, obrigada.

Estamos na fase de pré campanha ao referendo sobre o aborto. Nas ruas os placards publicitários estão ocupados por mensagens ora a favor do não ora do sim, que pouco dizem ou transmitem sobre a questão a referendar no da 11 de Fevereiro; são mensagens nitidamente para os decididos, sem conteúdo a ser discutido ou reflectido pelos indecisos, e que apenas indiciam que a campanha a sério está prestes a começar…
Contudo, pela net já circulam mails com direito a bolinha vermelha, principalmente contra a lei do aborto a referendar. Escuso-me a descrever pormenorizadamente todo o conteúdo dos ditos, mas constatar que muitos destes mostram essencialmente imagens agressivas de fetos mortos que, com certeza absoluta, só para quem for muito ignorante, não são decorrentes de um processo abortivo. O conteúdo subjacente às imagens em nada está relacionado com o aborto. E assim, considerando a possibilidade para lá dos antípodas que estaria efectivamente indecisa, sentir-me-ia indignada com tais opções de campanha, não pelo exposto sem o mínimo de sensibilidade, tão elevada pelos defensores do não, mas pelo atestado de estupidez que nelas está presente para quem acreditar que os fetos, com mais de 6 meses de gestação, estão mortos em sequência de um aborto. Também me preocupa… sinceramente. Pois até o momento revelam essencialmente um nítido desconhecimento da matéria que pretendem abordar e esta questão é deveras inquetante. Se assim pretendem continuar, não tenho a mínima dúvida de que os defensores do sim defrontarão adversários nitidamente inferiores intelectualmente na medida em que revelam ignorância sobre o que é um aborto, as razões de quem opta fazê-lo e pior, até quanto tempo de gestação terá de ter um feto para ser abortado, segundo a lei a referendar. Ora, com tais indícios de distorção da realidade só se pode esperar que a mesma esteja presente quando a campanha começar a sério por parte dos apoiantes do não. Quem acompanhou o anterior referendo sobre esta questão não estranhará tal situação. Na altura também foram proferidas palavras, também elas agressivas à (minha) condição feminina. Quem refere que o aborto é um anticoncepcional ou que uma mulher aborta como quem vai às compras só pode ser burro, anta, ou algo inferior, que não entende nada sobre mulheres, nem o que é ser mulher e, muito menos, sobre o que é um aborto. Contudo, devemos reconhecer que este tipo de discurso não é mais do que um reflexo da sociedade portuguesa com valores extremamente tradicionais e arcaica, com um capital cultural reduzido. Mais consistência e substância de conteúdo seria de esperar em inícios do século XXI. O caminho que insistem seguir mantém-se como há sensivelmente 10 anos, com argumentos a recordar os anos 50, 60. É pena, seria pelo menos cognitivamente mais estimulante assim, não passa da estupidez zombie de quem não vê o que se passa à sua volta. E insiste, insiste.

domingo, janeiro 07, 2007

Reflexo à beira mar II

EM BAIXO DA CASA

Ontem caminhando por um bairro
fora do centro, passei em baixo da casa
onde entrava quando era muito jovem.
Aí tinha-se apoderado do meu corpo Eros
com a sua força magnífica.

E ontem
quando passei pela antiga rua,
logo se embelezaram do encantamento erótico
as lojas, os passeios, as pedras,
e paredes, e varandas, e janelas;
nada aí ficou feio.

E enquanto estava, e olhava para a porta,
e estava, e me demorei em baixo da casa,
a minha substância inteira devolvia
e guardava emoção do prazer.

Konsntandinos Kavafis; trad. Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis

Reflexo à beira mar

À ESPERA DOS BÁRBAROS

Porque esperamos, reunidos na praça?
Hoje devem chegar os bárbaros.

Porque reina a indolência no Senado?
Que fazem os senadores, sentados sem legislar?

É porque hoje vão chegar os bárbaros.
Que hão-de fazer os senadores?
Quando chegarem, os bárbaros farão as leis.

Porque se levantou o Imperador tão de madrugada
e que faz sentado à porta da cidade,
no seu trono, solene, levando a coroa?

É porque hoje vão chegar os bárbaros.
E o imperador prepara-se para receber o chefe.
Preparou até um pergaminho para lhe oferecer, onde pôs
muitos títulos e nomes honoríficos.

Porque é que os nossos cônsules, e também os pretores,
hoje saem com togas vermelhas bordadas?
Porquê essas pulseiras com tantos ametistas
e esses anéis com esmeraldas resplandecentes?
Porque empunham hoje bastões tão preciosos
tão trabalhados a prata e ouro?

Hoje vão chegar os bárbaros,
e estas coisas deslumbram os bárbaros.

Porque não vêm, como sempre, os ilustres oradores
a fazer-nos seus discursos, dizendo o que têm para nos dizer?

Hoje vão chegar os bárbaros;
e, a eles, aborrece-os os discursos e a retórica.

E que vem a ser esta repentina inquietação, esta desordem?
(Que caras tão sérias tem hoje o povo.)
Porque é que as ruas e as praças vão ficando vazias
e regressam todos, tão pensativos, a suas casas?

É porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E da fronteira chegou gente
dizendo que os bárbaros já não vêm.

E agora que será de nós sem bárbaros?
De certo modo, essa gente era uma solução.

Konsntandinos Kavafis; trad. Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis

sábado, dezembro 30, 2006

Reflexo Absoluto

Sou contra a execução da pena de morte de Saddam Hussein daqui a umas horas. E com isso não quero dizer que não seja contra os actos atrozes que mandou executar. Não vamos longe...Ficamos próximo de algo que não é a Modernidade; muito atrás, bem atrás, lá atrás mesmo.

Vivam 2007!!!!! E blá blá blá...

O Natal supostamente deveria ser uma época de festa e alegria e amor e saúde e felicidade e prendas e família e blá blá blá e blá blá e… A verdade verdadinha, o Natal é um pouco disto e muito de outras coisas fúteis, também necessárias, desde que doseadas com o devido equilíbrio; como o álcool, nada fútil e imprescindível à sobrevivência de qualquer indivíduo que se preze, a ser saboreado com a devida cautela. Não vá o diabo tecê-las e foder todo a nossa capacidade de raciocínio.
Por esta altura também é vulgar levantarmos o tapete da porta de entrada e ver a sujidade que não limpamos por mais um ano. Muitos ultrapassam as fronteiras do umbigo e do universo familiar, deles, muitos, e como que submersos de um estado de coma acordam todos os anos com ar espantado ÔÔ e com a boca também espantada: O, aberta, de onde saem em direcção ao chão mais uma vez palavras, a merecer atenção no espaço "Expressa-te" deste blog: como é quéééé possível?, Coitados… Olha, olha a miséria! Nã quero ver - nem deveria ver mesmo; onde está a bolinha? A sério! Esta gente não se embebeda?! Não acredito... E blá blá blá e blá blá.

Chegados a moi, mais uma vez a verdade verdadinha, posso confirmar o diagnostico feito por myself – padeço de um déficite natalício. Ora vejamos, não gosto dos pobrezinhos e das criancinhas coitados e coitadas que aparecem na televisão envolvidos pelo calor do discurso jornalístico, nem de compaixões feitas à pressa por que ficam bem, não gosto de prendas nem de enfeitar a casa porque é natal, nem de amigos natalícios, não gosto de jantares de natal com os colegas de trabalho ou almoços ou coisa que o valha, nem de muitas mensagens sms iguais…não gosto de amigos secretos, nem de peditóros natalícios, não gosto de bacalhau cozido, não gosto de… blá blá blá e blá blá. Gosto de olhar nos olhos, com movimento nas mãos e palavras soltas nos actos que se fizeram ou fazem. Gosto das cuecas altas que a tia oferece embora não as use, gosto daqueles presentes dos 300 daquela amiga, gosto do bolo-rei da pastelaria Versailles, gosto dos sonhos da minha mãe em calda, gosto daquelas coisas todas de natal feitos à mão, gosto de todas as prendas da minha avó com 90 anos, gosto dos pijamas tipo anos 80 com folhos que a minha mãe insiste em dar-me, gosto do olhar de uma criança quando recebe um abraço depois de ter recebido aquele brinquedo… e gosto muito mais daquele abraço forte da mãe, mais um natal, do olhar brilhante das tias entre chá e conversas sobre a vida de outros tempos difíceis mas felizes filha, encontros com os amigos em que se trocam as prendas pela conversa viva, e … blá blá blá e blá blá.

Já cansada de tanta bolinha, luzinha, anjinho, pai natalzinho… chego ao novo ano com lágrimas nos olhos num espaço meu, facto ainda por diagnosticar por myself com necessidade de 20 anos de psicanálise contínua. E prontossssss! Vivam 2007!!!!!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Expressa-te (7)

Não há festa como esta!

domingo, dezembro 10, 2006

Voto reflexivo

No dia 11 de Fevereiro de 2007 votarei SIM.

sábado, dezembro 02, 2006

The Science of Sleep


Se a maioria dos filmes fosse assim iria todos os dias ao cinema! Por enquanto vou só ao fim de semana. Mas amanhã vou novamente. Só para ver Ciência dos Sonhos.
Mais uma vez.

Diálogos reflexivos (15)

- Sabia que o bacalhau está em vias de extinção?
- Tá? Mas isso não é problema para nós. Se não vem da Noruega vem da Islândia, da Rússia...

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Existem pessoas que não sabem o que fazer à sua vidinha filha da puta... E assim devem ter um prazer especial em tentar chatear a VIDA dos outros; coitado... Já constatei após várias experiências que sempre que aqui escrevo sobre a minha vida sentimental alguma coisa sucede ao meu carro... Pois é. Mas foi a última vez! Por que a próxima vez que tal acontecer garanto que vais finalmente ver-me mas à porta do teu trabalho com uma escavadora com livre trânsito para levar o teu maravilhoso e enorme carro para a sucata. Não esperes. Tenta mais uma vez...

domingo, novembro 26, 2006

Ilustra o teu fim-de-semana

Susan Bodwen. Giss A Kiss. 2006.

Sem capacetes nem óculos de protecção. Por que para moi o amor quer-se mesmo assim: tudo (ou nada). Cá estarei para limpar os cacos, se os houver.

Locais

Existem locais onde de vez em quando ou de quando em vez bato à porta devagar e entro sem esperar por resposta, basta um impulso quer eu esteja só-só, só, só-acompanhada, acompanhada-só, acompanhada-acompanhada. Nestes dois últimos casos, raramente digo que podem-me encontrar ali, às vezes, só em qualquer situação. Pois são locais onde me deito, choro, sorrio, confesso e obtenho energias de que necessito para uma semana quase sempre desgastante mas muitas vezes feliz. São também a minha morada onde deixo partículas por vezes difusas, outras objectivas, do que quero da minha vida; minha vida, sempre. Se falassem teriam muito que contar… mas também é por isso que gosto deles, por estar neles uma linguagem que não compreendo nem quero, com poucos significados e significantes(bastam-me muitos outros), um simples barulho selvagem com a força que me acalma; não gosto de coisas paradas.
Estes locais, sendo vários, têm só um ponto de intersecção – o mar (bravo). Sobre ele estendo os meus olhos na forma, no jeito, na inquietude com que se formam as ondas, sempre diferentes, irrepetíveis, como a vida. A inconstância (não gosto de muitas rotinas) com uma suposta lógica em estudos marinhos e a aparente não dominação das ondas enormes de contornos sempre diversos entusiasmam-me. Contudo, desagrada-me vê-lo realmente furioso, provocado por lógicas forças em estudos de sismologia.
Mar calmo só ao fim do dia quando estou muito muito cansada e para aí virada ou à noite para deitar-me sobre a manta de água e ficar a olhar as estrelas ou, o teu olhar.
Hoje estive num dos meus locais só-acompanhada e foi óptimo pensar, olhar, pensar no olhar, a pensar; como sempre fiz. Mas, rodeada agora por muitas pessoas que não sentadas sobre a areia surfavam, muitos, corriam vários homens, caminhavam incontáveis mulheres, saltavam, olhavam sós-sós ou sós-acompanhados homens e mulheres. Tanto faz, para mim. Faz-me impressão ver os meus locais invadidos por manias ou modas ou afirmação ou sei lá o quê, produto de uma sociedade: pós-moderna, capitalista, pós-industrial, consumista, da informação, da modernidade tardia, em rede, do conhecimento, de risco, de modernidade líquida, moderna, programada, da 3ª vaga… Com mais ou menos variações, ondulações mais calmas ou extremistas, a navegarem todas no mesmo mar… Nosso. Particular. Xô, vão-se embora! Já cá estava. E estou.

sábado, novembro 25, 2006

Nunca

Nunca tinha saboreado em Lisboa tanto vento a bater-me na cara.
Nunca tinha visto as árvores em Portugal a abanarem tanto.
Nunca tinha tocado num chapéu com tamanha vontade de voar.
Nunca tinha ouvido pessoas que se encostavam a paredes e libertavam que horror…

Nunca tinha sentido os meus pés quase a descolarem.
Nunca tinha saboreado o meu amor num temporal.
Nunca tinha visto tantos chapéus de chuva vadios.
Nunca tinha tocado em folhas que encontravam o meu rosto.
Nunca tinha ouvido várias buzinadelas estúpidas.
Nunca tinha sentido tantos empurrões da Natureza.
Nunca tinha saboreado um beijo intenso na chuva intensa; de hoje.
Nunca tinha visto muitos carros abanarem-se em simultâneo.
Nunca tinha tocado o meu carro quase em outro carro.
Nunca tinha ouvido tantas pessoas a descreverem sensações.
Nunca. Não tinha. Tenho agora.

terça-feira, novembro 21, 2006

Acontece

Este mundo está cheio. Todos sabemos; de muita coisa. Coisas boas, algumas. Coisas muito boas, poucas. Coisas vulgares, superficiais, banais, muitas. Coisas más e muito más, muitas muitas. Se imaginarmos como total mundo e fizermos umas contas de subtrair e outras de somar, de vez em quando, com várias multiplicações e muitas divisões podemos até pensar que isto afinal não é assim tão mau. É menos mal do que havíamos pensado. Uma média entre a filha de uma putice e uma beatice arcaica e, quer-se, menos hipócrita e mais uma série de outras coisas que bem esprimidos sabemos, alguns poucos, alguns; poucos. Não tendo aspirações a miss, deixei há muito muito de vomitar paz para o mundo, fim dos conflitos, e outros etecretas tais que confluem no mesmo mar… existe algo que é a essência humana e sobre a qual não coloco varinhas de condão nas mãos de fadas sempre com vestidos brilhantes, a padecerem de anorexia, coitadas; fadas e misses e aspiradoras a miss.
Mas hoje mais uma vez acho que isto está cheio de gente porreira com uma paciência de cão. Mesmo quando fazemos as tais coisas organizadas, menos menos, fazemos muitas vezes mal e pelas razões mais estapafúrdias; ou fizemos. Sim, também sou do povinho e sei o que me custa o ganha pão enquanto uns não sei quantos subiram para o senso comum na hierarquia de parvos a espertos…
Bem, vamos lá avançar. Estava numa avenida não sei o quê no meu carro brilhante e lindo e mudo ligeiramente de faixa, mas não sei porquê o pisca manteve-se activo, sem saída de via à vista. Entre cantaroladas silenciosas, raro, ao som de uma rádio com boa música, poucas poucas, entra pela janela do meu carro um capacete com uma cabeça lá dentro, com boca que disse, não precisa do pisca, não vai mudar de faixa. Os meus olhos na cabeça que estavam assim õõ ficaram ÔÕ, sem hipótese de abrir também a minha boca na minha cabeça sem capacete e desliguei de imediato o pisca direito. E lá foi o capacete com cabeça com boca em cima de uma lambreta, a lembrar os nossos motards dos anos 80. Brimmmmmmmmmmm Brim Brim Brim Brimmmmmmmmmmmmm
Há coisas, muitas muitas, que não se explicam, acontecem. Esta menos mal.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Parei

Parei por instantes. Por aqui. Avancei em outros instantes daqui; deste lado de cá. E abri num instante a janela - sorri ao mundo; ao meu mundo. Numa mescla de sentimentos estendi-os e deixei-os a apanhar sol, enquanto empoleirava-me para o vento bater na cara; sem me perder, encontrei um pouco. Encontrei-te. Mais do que nas palavras que se perdem no tempo, descobri-te nos actos que perduram a tua existência, em mim. Encostei-me. Lentamente sobre o teu ombro, senti o teu beijo na minha face, longo, suave e molhado de desejos embrulhados em caixas que guardamos dentro de nós. Desembrulhei-me, também. Entre histórias gregas e telas que pintaram muitos dos toques diários dos nossos pés e luzes na visão (por vezes escura) de admirarmos o mundo; nosso. Deixámo-nos ficar. E por lá fiquei. E por lá ainda estou. E aqui venho para buscar um pouco de mim, que não esqueci, mas levo-lhe. Levo-me leve; ao amor - tudo do que sou, da existência; minha. Meu.

quarta-feira, agosto 23, 2006

É chato

De férias. Não há tempo, e o pouco tempo quando aparece é para lembrar que afinal este estado de adormecimento é momentâneo e em breve terá um fim, deseja-se mais no próximo ano. Por agora quase tudo decorre lentamente, os dias já não os sinto. Uma ou duas vezes por semana, não me recordo, vou ao calendário. Observo o dia, o dia da semana e conto quantos dias faltam para este estado de calma terminar. Calma. Mas que calma é esta que pouca vontade cria pela leitura, nenhuma vontade em querer saber o que se passa para além dos limites familiares? Não é calma, por certo. Não pode ser. Calma. Acalma. Calma. Deito-me na toalha e por momentos elevo o meu tronco, apoiado pelos braços e fixo-me no movimento. Do mar. Na ondulação que vai e vem, mas nunca é a mesma, nunca se repete, e o máximo que poderá existir são parcenças em relação a outra que já foi. Fui para baixo. Deito-me completamente na toalha, mais uma vez e com óculos de sol fico suspensa no céu. O meu olhar. Pouco limpo, o céu. As nunvens teimam em percorrer o espaço e o sol esconde-se. Cá em baixo, abrem-se os olhos sem óculos de sol e ouve-se que chatisse. Afinal também isto é chato. Medonho. Queres levar uma lambada?, expressa-se uma mãe a um filho que corre de um lado para o outro e atira areia às pessoas que estão de olhos fechados sem óculos de sol viradas com a frente para o céu. As pessoas abrem os olhos, olham o miúdo e não lhe dizem nada. Sacodem a areia e proferem que chatisse. É chato. O céu ficou cheio de nuvens muito rapidamente. O sol está no céu, atrás das nuvens. As pessoas que estavam deitadas para o sol, movimentam-se. Algumas queixam-se do desaparecimento do sol. Outras queixam-se e vestem-se e vão-se embora. Aparece o vento. Que ganda chatisse? Já viste como isto ficou pá?!, diz um senhor com ar ofendido e com a pele muito vermelha. Chega o frio. Levanto-me. Sacudo a toalha. Sacudo a areia do meu corpo. Visto-me. Coloco a toalha por cima do ombro e deixo a praia. Por hoje.

quinta-feira, julho 27, 2006

Australian Nissan Tiida Ad ( Kim Cattrall )

Estou oficialmente de férias a partir do dia 27!!! Agora deixem-me gozar...

sexta-feira, julho 07, 2006

Prazer

Viva o Verão e o sol que se esbate sobre a nossa pele, agora devidamente protegida como um qualquer protector solar de valor não inferior a 30 pois até já nos tramaram o prazer de sentir o calor sobre a pele. Isto estará tudo contaminado, e tudo que parecia nada agora é um tudo de que depende a nossa sobrevivência. Mas ao nada regressaremos depois de tentarmos tudo para sermos um todo incompleto comose quer. E eu por agora não quero nada, vou directamente para o Norte a um festival de curtas e não sei se regressarei a tempo ou com tempo de por aqui manter esta gruta. Ai que pensamentos meus que só querem boa vida e o trabalho obrigatório que se lixe pois se de trabalho vive o homem e a mulher, aspiro sempre ao prazer. É o prazer a nossa pedra preciosa, o nosso elixir, a nossa bebida mágica a retira-nos das trevas… Ai… tenho medo. Adiante É o prazer da companhia com aquela pessoa que nos encaminha para o amor, é o prazer pelo trabalho capaz de tornar o impossível no possível, é o prazer de viver que nos permite sentir com todos os sentidos cada momento das nossas vidas como único e tentar torná-lo inesquecível. Sendo que todos procuramos o mesmo – a felicidade – já imaginaram do que seria a felicidade sem o prazer? A felicidade só se concebe pelo prazer que nos transmite, a ecoar pelos nossos poros e percorrer o nosso corpo desde a pontinha do pé à pontinha do cabelo. Não há nada mais maravilhoso num livro, com uma pessoa, numa conversa, num filme, numa queca, num olhar, num sonho, num acto, num momento em que afinal acordamos e sentimo-nos vivos. Com prazer. Pois também há quem não tenha prazer em nada do que faz. E isso é tramado… Muito mau mesmo.