Sem capacetes nem óculos de protecção. Por que para moi o amor quer-se mesmo assim: tudo (ou nada). Cá estarei para limpar os cacos, se os houver.
domingo, novembro 26, 2006
Ilustra o teu fim-de-semana
Sem capacetes nem óculos de protecção. Por que para moi o amor quer-se mesmo assim: tudo (ou nada). Cá estarei para limpar os cacos, se os houver.
Locais
Existem locais onde de vez em quando ou de quando em vez bato à porta devagar e entro sem esperar por resposta, basta um impulso quer eu esteja só-só, só, só-acompanhada, acompanhada-só, acompanhada-acompanhada. Nestes dois últimos casos, raramente digo que podem-me encontrar ali, às vezes, só em qualquer situação. Pois são locais onde me deito, choro, sorrio, confesso e obtenho energias de que necessito para uma semana quase sempre desgastante mas muitas vezes feliz. São também a minha morada onde deixo partículas por vezes difusas, outras objectivas, do que quero da minha vida; minha vida, sempre. Se falassem teriam muito que contar… mas também é por isso que gosto deles, por estar neles uma linguagem que não compreendo nem quero, com poucos significados e significantes(bastam-me muitos outros), um simples barulho selvagem com a força que me acalma; não gosto de coisas paradas.
Estes locais, sendo vários, têm só um ponto de intersecção – o mar (bravo). Sobre ele estendo os meus olhos na forma, no jeito, na inquietude com que se formam as ondas, sempre diferentes, irrepetíveis, como a vida. A inconstância (não gosto de muitas rotinas) com uma suposta lógica em estudos marinhos e a aparente não dominação das ondas enormes de contornos sempre diversos entusiasmam-me. Contudo, desagrada-me vê-lo realmente furioso, provocado por lógicas forças em estudos de sismologia.
Mar calmo só ao fim do dia quando estou muito muito cansada e para aí virada ou à noite para deitar-me sobre a manta de água e ficar a olhar as estrelas ou, o teu olhar.
Hoje estive num dos meus locais só-acompanhada e foi óptimo pensar, olhar, pensar no olhar, a pensar; como sempre fiz. Mas, rodeada agora por muitas pessoas que não sentadas sobre a areia surfavam, muitos, corriam vários homens, caminhavam incontáveis mulheres, saltavam, olhavam sós-sós ou sós-acompanhados homens e mulheres. Tanto faz, para mim. Faz-me impressão ver os meus locais invadidos por manias ou modas ou afirmação ou sei lá o quê, produto de uma sociedade: pós-moderna, capitalista, pós-industrial, consumista, da informação, da modernidade tardia, em rede, do conhecimento, de risco, de modernidade líquida, moderna, programada, da 3ª vaga… Com mais ou menos variações, ondulações mais calmas ou extremistas, a navegarem todas no mesmo mar… Nosso. Particular. Xô, vão-se embora! Já cá estava. E estou.
Estes locais, sendo vários, têm só um ponto de intersecção – o mar (bravo). Sobre ele estendo os meus olhos na forma, no jeito, na inquietude com que se formam as ondas, sempre diferentes, irrepetíveis, como a vida. A inconstância (não gosto de muitas rotinas) com uma suposta lógica em estudos marinhos e a aparente não dominação das ondas enormes de contornos sempre diversos entusiasmam-me. Contudo, desagrada-me vê-lo realmente furioso, provocado por lógicas forças em estudos de sismologia.
Mar calmo só ao fim do dia quando estou muito muito cansada e para aí virada ou à noite para deitar-me sobre a manta de água e ficar a olhar as estrelas ou, o teu olhar.
Hoje estive num dos meus locais só-acompanhada e foi óptimo pensar, olhar, pensar no olhar, a pensar; como sempre fiz. Mas, rodeada agora por muitas pessoas que não sentadas sobre a areia surfavam, muitos, corriam vários homens, caminhavam incontáveis mulheres, saltavam, olhavam sós-sós ou sós-acompanhados homens e mulheres. Tanto faz, para mim. Faz-me impressão ver os meus locais invadidos por manias ou modas ou afirmação ou sei lá o quê, produto de uma sociedade: pós-moderna, capitalista, pós-industrial, consumista, da informação, da modernidade tardia, em rede, do conhecimento, de risco, de modernidade líquida, moderna, programada, da 3ª vaga… Com mais ou menos variações, ondulações mais calmas ou extremistas, a navegarem todas no mesmo mar… Nosso. Particular. Xô, vão-se embora! Já cá estava. E estou.
sábado, novembro 25, 2006
Nunca
Nunca tinha saboreado em Lisboa tanto vento a bater-me na cara.
Nunca tinha visto as árvores em Portugal a abanarem tanto.
Nunca tinha tocado num chapéu com tamanha vontade de voar.
Nunca tinha ouvido pessoas que se encostavam a paredes e libertavam que horror…
Nunca tinha sentido os meus pés quase a descolarem.
Nunca tinha saboreado o meu amor num temporal.
Nunca tinha visto tantos chapéus de chuva vadios.
Nunca tinha tocado em folhas que encontravam o meu rosto.
Nunca tinha ouvido várias buzinadelas estúpidas.
Nunca tinha sentido tantos empurrões da Natureza.
Nunca tinha saboreado um beijo intenso na chuva intensa; de hoje.
Nunca tinha visto muitos carros abanarem-se em simultâneo.
Nunca tinha tocado o meu carro quase em outro carro.
Nunca tinha ouvido tantas pessoas a descreverem sensações.
Nunca. Não tinha. Tenho agora.
Nunca tinha visto as árvores em Portugal a abanarem tanto.
Nunca tinha tocado num chapéu com tamanha vontade de voar.
Nunca tinha ouvido pessoas que se encostavam a paredes e libertavam que horror…
Nunca tinha sentido os meus pés quase a descolarem.
Nunca tinha saboreado o meu amor num temporal.
Nunca tinha visto tantos chapéus de chuva vadios.
Nunca tinha tocado em folhas que encontravam o meu rosto.
Nunca tinha ouvido várias buzinadelas estúpidas.
Nunca tinha sentido tantos empurrões da Natureza.
Nunca tinha saboreado um beijo intenso na chuva intensa; de hoje.
Nunca tinha visto muitos carros abanarem-se em simultâneo.
Nunca tinha tocado o meu carro quase em outro carro.
Nunca tinha ouvido tantas pessoas a descreverem sensações.
Nunca. Não tinha. Tenho agora.
terça-feira, novembro 21, 2006
Acontece
Este mundo está cheio. Todos sabemos; de muita coisa. Coisas boas, algumas. Coisas muito boas, poucas. Coisas vulgares, superficiais, banais, muitas. Coisas más e muito más, muitas muitas. Se imaginarmos como total mundo e fizermos umas contas de subtrair e outras de somar, de vez em quando, com várias multiplicações e muitas divisões podemos até pensar que isto afinal não é assim tão mau. É menos mal do que havíamos pensado. Uma média entre a filha de uma putice e uma beatice arcaica e, quer-se, menos hipócrita e mais uma série de outras coisas que bem esprimidos sabemos, alguns poucos, alguns; poucos. Não tendo aspirações a miss, deixei há muito muito de vomitar paz para o mundo, fim dos conflitos, e outros etecretas tais que confluem no mesmo mar… existe algo que é a essência humana e sobre a qual não coloco varinhas de condão nas mãos de fadas sempre com vestidos brilhantes, a padecerem de anorexia, coitadas; fadas e misses e aspiradoras a miss.
Mas hoje mais uma vez acho que isto está cheio de gente porreira com uma paciência de cão. Mesmo quando fazemos as tais coisas organizadas, menos menos, fazemos muitas vezes mal e pelas razões mais estapafúrdias; ou fizemos. Sim, também sou do povinho e sei o que me custa o ganha pão enquanto uns não sei quantos subiram para o senso comum na hierarquia de parvos a espertos…
Bem, vamos lá avançar. Estava numa avenida não sei o quê no meu carro brilhante e lindo e mudo ligeiramente de faixa, mas não sei porquê o pisca manteve-se activo, sem saída de via à vista. Entre cantaroladas silenciosas, raro, ao som de uma rádio com boa música, poucas poucas, entra pela janela do meu carro um capacete com uma cabeça lá dentro, com boca que disse, não precisa do pisca, não vai mudar de faixa. Os meus olhos na cabeça que estavam assim õõ ficaram ÔÕ, sem hipótese de abrir também a minha boca na minha cabeça sem capacete e desliguei de imediato o pisca direito. E lá foi o capacete com cabeça com boca em cima de uma lambreta, a lembrar os nossos motards dos anos 80. Brimmmmmmmmmmm Brim Brim Brim Brimmmmmmmmmmmmm
Há coisas, muitas muitas, que não se explicam, acontecem. Esta menos mal.
Mas hoje mais uma vez acho que isto está cheio de gente porreira com uma paciência de cão. Mesmo quando fazemos as tais coisas organizadas, menos menos, fazemos muitas vezes mal e pelas razões mais estapafúrdias; ou fizemos. Sim, também sou do povinho e sei o que me custa o ganha pão enquanto uns não sei quantos subiram para o senso comum na hierarquia de parvos a espertos…
Bem, vamos lá avançar. Estava numa avenida não sei o quê no meu carro brilhante e lindo e mudo ligeiramente de faixa, mas não sei porquê o pisca manteve-se activo, sem saída de via à vista. Entre cantaroladas silenciosas, raro, ao som de uma rádio com boa música, poucas poucas, entra pela janela do meu carro um capacete com uma cabeça lá dentro, com boca que disse, não precisa do pisca, não vai mudar de faixa. Os meus olhos na cabeça que estavam assim õõ ficaram ÔÕ, sem hipótese de abrir também a minha boca na minha cabeça sem capacete e desliguei de imediato o pisca direito. E lá foi o capacete com cabeça com boca em cima de uma lambreta, a lembrar os nossos motards dos anos 80. Brimmmmmmmmmmm Brim Brim Brim Brimmmmmmmmmmmmm
Há coisas, muitas muitas, que não se explicam, acontecem. Esta menos mal.
quarta-feira, novembro 08, 2006
Parei
Parei por instantes. Por aqui. Avancei em outros instantes daqui; deste lado de cá. E abri num instante a janela - sorri ao mundo; ao meu mundo. Numa mescla de sentimentos estendi-os e deixei-os a apanhar sol, enquanto empoleirava-me para o vento bater na cara; sem me perder, encontrei um pouco. Encontrei-te. Mais do que nas palavras que se perdem no tempo, descobri-te nos actos que perduram a tua existência, em mim. Encostei-me. Lentamente sobre o teu ombro, senti o teu beijo na minha face, longo, suave e molhado de desejos embrulhados em caixas que guardamos dentro de nós. Desembrulhei-me, também. Entre histórias gregas e telas que pintaram muitos dos toques diários dos nossos pés e luzes na visão (por vezes escura) de admirarmos o mundo; nosso. Deixámo-nos ficar. E por lá fiquei. E por lá ainda estou. E aqui venho para buscar um pouco de mim, que não esqueci, mas levo-lhe. Levo-me leve; ao amor - tudo do que sou, da existência; minha. Meu.
quarta-feira, agosto 23, 2006
É chato
De férias. Não há tempo, e o pouco tempo quando aparece é para lembrar que afinal este estado de adormecimento é momentâneo e em breve terá um fim, deseja-se mais no próximo ano. Por agora quase tudo decorre lentamente, os dias já não os sinto. Uma ou duas vezes por semana, não me recordo, vou ao calendário. Observo o dia, o dia da semana e conto quantos dias faltam para este estado de calma terminar. Calma. Mas que calma é esta que pouca vontade cria pela leitura, nenhuma vontade em querer saber o que se passa para além dos limites familiares? Não é calma, por certo. Não pode ser. Calma. Acalma. Calma. Deito-me na toalha e por momentos elevo o meu tronco, apoiado pelos braços e fixo-me no movimento. Do mar. Na ondulação que vai e vem, mas nunca é a mesma, nunca se repete, e o máximo que poderá existir são parcenças em relação a outra que já foi. Fui para baixo. Deito-me completamente na toalha, mais uma vez e com óculos de sol fico suspensa no céu. O meu olhar. Pouco limpo, o céu. As nunvens teimam em percorrer o espaço e o sol esconde-se. Cá em baixo, abrem-se os olhos sem óculos de sol e ouve-se que chatisse. Afinal também isto é chato. Medonho. Queres levar uma lambada?, expressa-se uma mãe a um filho que corre de um lado para o outro e atira areia às pessoas que estão de olhos fechados sem óculos de sol viradas com a frente para o céu. As pessoas abrem os olhos, olham o miúdo e não lhe dizem nada. Sacodem a areia e proferem que chatisse. É chato. O céu ficou cheio de nuvens muito rapidamente. O sol está no céu, atrás das nuvens. As pessoas que estavam deitadas para o sol, movimentam-se. Algumas queixam-se do desaparecimento do sol. Outras queixam-se e vestem-se e vão-se embora. Aparece o vento. Que ganda chatisse? Já viste como isto ficou pá?!, diz um senhor com ar ofendido e com a pele muito vermelha. Chega o frio. Levanto-me. Sacudo a toalha. Sacudo a areia do meu corpo. Visto-me. Coloco a toalha por cima do ombro e deixo a praia. Por hoje.
quinta-feira, julho 27, 2006
sexta-feira, julho 07, 2006
Prazer
Viva o Verão e o sol que se esbate sobre a nossa pele, agora devidamente protegida como um qualquer protector solar de valor não inferior a 30 pois até já nos tramaram o prazer de sentir o calor sobre a pele. Isto estará tudo contaminado, e tudo que parecia nada agora é um tudo de que depende a nossa sobrevivência. Mas ao nada regressaremos depois de tentarmos tudo para sermos um todo incompleto comose quer. E eu por agora não quero nada, vou directamente para o Norte a um festival de curtas e não sei se regressarei a tempo ou com tempo de por aqui manter esta gruta. Ai que pensamentos meus que só querem boa vida e o trabalho obrigatório que se lixe pois se de trabalho vive o homem e a mulher, aspiro sempre ao prazer. É o prazer a nossa pedra preciosa, o nosso elixir, a nossa bebida mágica a retira-nos das trevas… Ai… tenho medo. Adiante É o prazer da companhia com aquela pessoa que nos encaminha para o amor, é o prazer pelo trabalho capaz de tornar o impossível no possível, é o prazer de viver que nos permite sentir com todos os sentidos cada momento das nossas vidas como único e tentar torná-lo inesquecível. Sendo que todos procuramos o mesmo – a felicidade – já imaginaram do que seria a felicidade sem o prazer? A felicidade só se concebe pelo prazer que nos transmite, a ecoar pelos nossos poros e percorrer o nosso corpo desde a pontinha do pé à pontinha do cabelo. Não há nada mais maravilhoso num livro, com uma pessoa, numa conversa, num filme, numa queca, num olhar, num sonho, num acto, num momento em que afinal acordamos e sentimo-nos vivos. Com prazer. Pois também há quem não tenha prazer em nada do que faz. E isso é tramado… Muito mau mesmo.
quinta-feira, junho 29, 2006
Momento Zen
Estou farta do Mundial. Do adormecimento momentâneo das cabeças entre os pés que elevam bolas numa geometria confusa sem razão para tangentes ou cotagentes, e pior elipses erráticas. Pois se dizem que o futecol é uma ciência, meus amigos, eu serei uma verdadeira Deusa. Este dia ou estes dias de descanso são neste momento o meu espaço Zen, em que consigo sem ruídos estridentes empoleirar-me na minha janela e respirar bem fundo, no fundo. De paz. Imaginem se isto decorresse durante muito tempo… eu, com toda a certeza, garanto-vos, estaria internada numa qualquer estabelecimento psiquiátrico com ilucinações dobre f**** de j*** . Pois a minha vida não é feita disto. Neste momento preocupo-me mais com os ataques esquecidos num fundo de página de jornal sobre os palestinianos, povo sofrido pela incongruência dos homens sobre outros homens apenas, sem coisa que o valhe. Talvez a minha consciência esteja demasiado consciente pois leio o livro Quando Nietzsche chorou que não diz tudo sobre este grande autor- Nietzsche - mas imprime algumas das suas palavras: a recompensa final dos mortos é não morrerem mais!. Por isso amigos, vá para o caralho o M******, que se foda a nossa s******* e que seja um filho da puta o vencedor. Pois o Mundo não gira a volta de uma b*** mas parece que se deixa foder por uns resultados que sobre nada evoluiremos. Atirem-se de estátuas, quebrem costelas, gritem com todas as goelas, ponham bandeiras na janela, abanem euforias enquanto as vossas vidas se perdem pois sobre isso só retenho a pobreza dos vossos espíritos. Cagalhões para todos os g**** do M****** e um retrete cheia de merda para os espíritos embriagados. Já disse. Feliz.
sexta-feira, junho 23, 2006
Diálogos reflexivos mas distorcidos
Pensar que estou numa praia, abandonada eu a olhar a linha do horizonte que divide o mar da terra; fundindo-se ao longe estes dois elementos que fazem-nos crianças acreditar que ultrapassada a linha do horizonte teremos provavelmente outro mundo, outros mundos, que este já chateia. Chateio-me. Aborreço-me melhor e continuo a pensar que a vida, contra a visão hedonista, também é vida quando menos o parece, quando mais a questionamos, quando mais a desejamos entre a inexistente presente. Jamais ultrapassaria linhas imaginárias, ilusões de óptica que constantemente fazem-nos cair, cair entre efémeras verdades que existindo são simplesmente, também sós, nossas, partilhadas numa aquisição de adeptos por uma verdade entre outras as que transportamos particulares ou universais. São a nossa vida. Também a minha, que não me deixa ultrapassar aquela linha do horizonte que funde o mar na terra; mentira.
sexta-feira, junho 09, 2006
Testa o teste
Você até tem um certo jeito, e de vez em quando faz um brilharete; mas geralmente anda um bocado à nora. A organização não é o seu forte, você confia em absoluto no instinto. Você é pão-pão queijo-queijo: tudo ou nada! Acha sempre que vai conseguir ter tudo, mas, aqui entre nós, ou fica lá muito perto ou dá uma monumental barraca.
E está tudo dito! Quando é que começamos a jogar? A verdade verdadinha é que estou que já não posso com o mundial...Vamos aos golos.
quinta-feira, junho 08, 2006
Ilustra a semana passada (3)
Com este calor insuportável só me apeteceu chegar a casa, estender-me no chão e deixar-me ficar por uns minutos. Entretanto, o tecto anda a precisar de uma pintura.
Os Pilinhas
Estou que não me aguento. Chegou a época das obras e alguns, poucos, decidem por esta altura de sol a 40ºC realizar um conjunto de remodelações que ambicionavam há anos na sua linda e alegre casinha. O meu prédio parece submetido a um ataque de metralhadoras e a trepideira sente-se desde o armário até à pontinha da minha pintilheira, rima que até dá gosto. A única coisa mais linda é ver os trolhas com os seus reluzentes corpos de suor a carregar uns quantos tijolos que até animam a vista, com pronúncia importada dos Balcãs incluída. Ai… que estou mal, vou ali abaixo à procura de um médico que roda a batoneira e já volto. Sem resultados no que se refere à especialidade, registei engenheiros, professores e até um bibliotecário com conhecimentos na área solicitada. Ai que este mundo perde-se com tamanha tortura.
Saio de casa e decido deambular pelo meu bairro com uma considerável população idosa e eis que encontro o grupo Os Pilinhas. O grupo Os Pilinhas está em todo lado, sem distinção entre espaço urbano ou rural, ou grupo social económico. São contudo necessárias as condições: ser homem; ser reformado ou, em casos raros, desempregado; e encontrar-se no período da terceira idade, tudo o resto é secundário. No caso de Lisboa, a área observada, Os Pilinhas podem ser vistos em vários sítios, mas o local mais comum da sua presença é o jardim. Sentam-se a jogar especialmente à sueca (quase o único elemento feminino como A cerveja) ou encostam-se uns aos outros à volta da mesa de jogo, enquanto outros, poucos, espalham-se em conversas que invariavelmente têm e só dois destinos: futebol e as quecas dadas no passado.
Sinceramente nunca percebi este fenómeno que faz tanto amontoar masculino, como se mais nada existisse na vida; há quem diga que Os Pilinhas são gays mas eu não vou tão longe, fico-me só por aqui, embora questione tão interessante fenómeno masculino português.
Os Pilinhas tês vários momentos de confraternização. O momento de competição dos Pilinhas é quase sempre num jardim. Através do jogo de cartas, alguns adquirem um estatuto tal que podem mesmo ser vistos como os pilões. Contudo, eles partilham outros espaços. Adoram encontrar-se numa qualquer tasca deste país e aí têm momentos de psicoterapia partilhada pelo colectivo. Lembram-se muitas vezes que têm mulheres e choram compulsivamente ou aparentam uma alegria pouco comum. Outro momento em que podemos ver o grupo Os Pilinhas reunido é num qualquer estabelecimento comercial a acompanharem uma partida de futebol. Neste momento tendem a libertar tensões e quase em uníssono chamam nomes a algumas figuras que aparecem no ecran: vai para o caralho árbitro da merda, não corres nada ca-brão de um caralho ou o caralho do gajo é mesmo frouxo, por exemplo. E mais não digo.
Os Pilinhas tornaram-se assim património nacional em vias de desenvolvimento, poderá encontrá-los perto de si em qualquer lugar e, pelo que já me foi dado a ver, eles também apoiam a selecção nacional. Vivam Os Pilinhas!!!
Saio de casa e decido deambular pelo meu bairro com uma considerável população idosa e eis que encontro o grupo Os Pilinhas. O grupo Os Pilinhas está em todo lado, sem distinção entre espaço urbano ou rural, ou grupo social económico. São contudo necessárias as condições: ser homem; ser reformado ou, em casos raros, desempregado; e encontrar-se no período da terceira idade, tudo o resto é secundário. No caso de Lisboa, a área observada, Os Pilinhas podem ser vistos em vários sítios, mas o local mais comum da sua presença é o jardim. Sentam-se a jogar especialmente à sueca (quase o único elemento feminino como A cerveja) ou encostam-se uns aos outros à volta da mesa de jogo, enquanto outros, poucos, espalham-se em conversas que invariavelmente têm e só dois destinos: futebol e as quecas dadas no passado.
Sinceramente nunca percebi este fenómeno que faz tanto amontoar masculino, como se mais nada existisse na vida; há quem diga que Os Pilinhas são gays mas eu não vou tão longe, fico-me só por aqui, embora questione tão interessante fenómeno masculino português.
Os Pilinhas tês vários momentos de confraternização. O momento de competição dos Pilinhas é quase sempre num jardim. Através do jogo de cartas, alguns adquirem um estatuto tal que podem mesmo ser vistos como os pilões. Contudo, eles partilham outros espaços. Adoram encontrar-se numa qualquer tasca deste país e aí têm momentos de psicoterapia partilhada pelo colectivo. Lembram-se muitas vezes que têm mulheres e choram compulsivamente ou aparentam uma alegria pouco comum. Outro momento em que podemos ver o grupo Os Pilinhas reunido é num qualquer estabelecimento comercial a acompanharem uma partida de futebol. Neste momento tendem a libertar tensões e quase em uníssono chamam nomes a algumas figuras que aparecem no ecran: vai para o caralho árbitro da merda, não corres nada ca-brão de um caralho ou o caralho do gajo é mesmo frouxo, por exemplo. E mais não digo.
Os Pilinhas tornaram-se assim património nacional em vias de desenvolvimento, poderá encontrá-los perto de si em qualquer lugar e, pelo que já me foi dado a ver, eles também apoiam a selecção nacional. Vivam Os Pilinhas!!!
sábado, junho 03, 2006
E não que eles vieram... trinta e três!!! Fica este paninho de parede pois por aqui já não há pachorra para festejos.
- Diga lá outravez: trin-ta-e-três.
- Tlinta e tlês.
- Não. Diga trin--ta-ta-e-e-trêssss.
-Vinte e três. Não consigo mais...
- Trrrrrinnnnnnttttttaaaaa-eeeeee-três!
-Tlinta e tlês. Não consigo. A sério, não consigo.
quarta-feira, maio 31, 2006
segunda-feira, maio 29, 2006
Passados
Os baús foram feitos para serem abertos e raramente presos a um sótão com o passado lá dentro. Alguns encontram nesta forma a única, para viverem. A única para se manterem vivos. Aprisionar o passado. E não saem dali nem por nada. Das recordações, das vivências, dos amigos, dos inimigos, dos primeiros beijos, dos afectos, dos complexos, de todos passados quando viviam o presente… pois dessa forma é que é feita a história.
Sobreviver é difícil mas, viver, é muito mais. As putas de dificuldades andam instaladas em muitas casas portuguesas, concerteza, encostadas à nossa porta, no vão de escada, em cima do nosso tapete de entrada, no volante do carro, na bomba da gasolina, na prestação que se presta a pedir-nos contas todos os meses… E assim não há nada melhor do que olhar para vida a partir de trás e nunca mais chegar à página que se quer. Mas, afinal, de que vale vivermos à custa de recordações? Recordar será por certo uma forma de viver mas não é viver quando só se vive à custa de um passado atrasado no tempo, quando no tempo se quer o presente, que a existir nos tempos que correm vira-se a cara, foge-se com medo da realidade vista de frente, muitas vezes preta. Há também aquelas pessoas que têm tudo para andarem de peito aberto mas, apanhados por uma espécie de vírus ò tempo volta para trás falam-nos do primeiro brinquedo, do primeiro amor, da primeira queca, da primeira bebedeira, do primeiro golo da selecção, do…da… de tudo o primeiro que os marcou. E marca. Como que cravado na pele, numa espécie de tatuagem pretendessem exibir-nos os impulsos de vida que tiveram e com o que de realmente de significativo já a compuseram.
Claro que a filha da puta da vida nos trinta é tramada cheia de confusões, desentendidos de palavras e sentimentos, colocando a comunicação numa órbita celeste superior. Chegados aos trinta começam a levar-nos a sério e tudo parece demasiado sério, todos os erros tomam uma responsabilidade cada vez maior a que temos de dar a devida conta, dizia-me outro dia uma amiga. E a conta pressupõe mais tudo: em sentimentos e acções, por vezes, com dificuldades de sustentação, em tentativas de levar o barco a porto seguro. A tarefa não é fácil e também por isso é tantas vezes difícil conduzir a vida mas, é melhor sermos nós a conduzir embora correndo riscos de ficarmos perdidos em alto mar do que deixarmo-nos ficar pelo que podia ter sido, submersos em águas estagnadas.
Sobreviver é difícil mas, viver, é muito mais. As putas de dificuldades andam instaladas em muitas casas portuguesas, concerteza, encostadas à nossa porta, no vão de escada, em cima do nosso tapete de entrada, no volante do carro, na bomba da gasolina, na prestação que se presta a pedir-nos contas todos os meses… E assim não há nada melhor do que olhar para vida a partir de trás e nunca mais chegar à página que se quer. Mas, afinal, de que vale vivermos à custa de recordações? Recordar será por certo uma forma de viver mas não é viver quando só se vive à custa de um passado atrasado no tempo, quando no tempo se quer o presente, que a existir nos tempos que correm vira-se a cara, foge-se com medo da realidade vista de frente, muitas vezes preta. Há também aquelas pessoas que têm tudo para andarem de peito aberto mas, apanhados por uma espécie de vírus ò tempo volta para trás falam-nos do primeiro brinquedo, do primeiro amor, da primeira queca, da primeira bebedeira, do primeiro golo da selecção, do…da… de tudo o primeiro que os marcou. E marca. Como que cravado na pele, numa espécie de tatuagem pretendessem exibir-nos os impulsos de vida que tiveram e com o que de realmente de significativo já a compuseram.
Claro que a filha da puta da vida nos trinta é tramada cheia de confusões, desentendidos de palavras e sentimentos, colocando a comunicação numa órbita celeste superior. Chegados aos trinta começam a levar-nos a sério e tudo parece demasiado sério, todos os erros tomam uma responsabilidade cada vez maior a que temos de dar a devida conta, dizia-me outro dia uma amiga. E a conta pressupõe mais tudo: em sentimentos e acções, por vezes, com dificuldades de sustentação, em tentativas de levar o barco a porto seguro. A tarefa não é fácil e também por isso é tantas vezes difícil conduzir a vida mas, é melhor sermos nós a conduzir embora correndo riscos de ficarmos perdidos em alto mar do que deixarmo-nos ficar pelo que podia ter sido, submersos em águas estagnadas.
domingo, maio 28, 2006
Parabéns
... isto de chegar aos trintas é tramado, não há quem não nos lembre os anos que temos. Muitos Parabéns Artur, apesar dos atrasos!!!
sábado, maio 27, 2006
Ilustra a tua semana (3)
Timor passa por uma situação difícil desde a sua formação em 1999. Vários militares depois de despedidos em Março realizaram nas últimas semanas vários actos de violência que provocaram várias mortes no território. Actualmente fala-se em tentativas de golpe de estado quando Xanana Gusmão coloca-se como chefe do exército e reforços estrangeiros chegam ao território para acalmar o estado crítico em que o país se encontra. Enquanto isso, em Portugal depois de lençóis brancos, cordões humanos e outros etecetras tudo parece esquecido e como o que sucede com o Iraque ou o Sudão, por exemplo, a morte encontra-se à mesa de jantar de muitas famílias portuguesas como o 'passa-me o pão'. Pois tudo parece nada e nada parece tudo.