sexta-feira, dezembro 26, 2008
If
Se o Natal fosse todos os dias... isto seria uma grande chatice. Por agora mando tudo à fava e limito-me a ouvir esta música; nem sei ao certo do que trata; trata, contudo, a minha impaciência que se agudizou nos últimos dias. Sendo uma música que gosto, deixo-a aqui especialmente para o Manuel e o Artur, com desejos de Boas Festas.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
A escrita
Aqui e em outros espaços tenho escrito. Sobre coisas, momentos, satisfações, emoções vividas ou imaginadas. Tenho um apreço muito grande pelas palavras e pela escrita em particular. Gosto de escrever, simplesmente. E por vezes dou por mim a criar ou a imaginar situações que para mim em concreto não significam nada; expressam só a minha vontade de escrever, mais uma vez, simplesmente; por vezes nem as quero a viver! Se assim fosse, coitados os escritores profissionais que criam histórias do arco da velha... Não sei por quê, ou talvez saiba, acho sempre piada a alguns críticos quando gostam de entender interpretações muito para lá da obra, simples do escritor. Não me considero uma escritora, longe disso, apenas uma amadora das palavras. Acho piada à brincadeira que nos permite ter com as palavras, colocadas em determinadas situações; no texto. É para mim interessante criar contextos, personagens para uma dada história que escrevo mas, são e só isso, situações. Não significam que pense vivê-las, que já tenha vivido ou sobre as quais tenha alguma intensão. Simplesmente, por vezes, podemos ter uma ideia sobre determinada situação e desdobrá-la nos contextos que quisermos. Colocar várias nuances só porque fica bem no texto, não porque queremos que isso suceda ou já tenha sucedido connosco. O trabalho de escrita é sem dúvida, quando estou para aí virada, um dos que gosto de vez em quando ou de quando em vez desenvolver. Para os grandes escritores, esses sim, procuram, provavelmente, ou não, desenvolver com a obra um determinado conteúdo que consideram pertinente para eles. Da minha parte gosto da palavra escrita. E da possibilidade de serem criados aqui, junto ao meu teclado muitos cenários possíveis; que depois vistos e revistos, na maior parte das vezes, não passam disso mesmo, cenários. Só isso. Não sei porquê mas hoje apeteceu-me escrever sobre a escrita e a minha relação, talvez desprendida, sem nenhum propósito ou intensão. Só escrever. Imaginar. Criar. Nada mais.
À minha maneira
Certas palavras podem não dizer nada.
Certos olhares valem menos do que mil palavras.
Certos momentos fazem-nos lembrar que existe um mundo lá fora.
Certos gestos parecem sinais que guiam-nos para outros caminhos.
Certos toques parecem não estremecer coração nenhum.
Certos detalhes dizem-nos que nem todas as pessoas são especiais.
Assim como você que deixará lembranças para todo o sempre.
Vinicius de Moraes (adaptado)
Certos olhares valem menos do que mil palavras.
Certos momentos fazem-nos lembrar que existe um mundo lá fora.
Certos gestos parecem sinais que guiam-nos para outros caminhos.
Certos toques parecem não estremecer coração nenhum.
Certos detalhes dizem-nos que nem todas as pessoas são especiais.
Assim como você que deixará lembranças para todo o sempre.
Vinicius de Moraes (adaptado)
domingo, dezembro 14, 2008
Certas palavras podem dizer muitas coisas;
Certos olhares podem valer mais do que mil palavras;
Certos momentos nos fazem esquecer que existe um mundo lá fora;
Certos gestos,parecem sinais guiando-nos pelo caminho;
Certos toques parecem estremecer todo nosso coração;
Certos detalhes nos dão certeza de que existem pessoas especiais,
Assim como você que deixarão belas lembranças para todo o sempre:
Vinicius de Moraes
Certos olhares podem valer mais do que mil palavras;
Certos momentos nos fazem esquecer que existe um mundo lá fora;
Certos gestos,parecem sinais guiando-nos pelo caminho;
Certos toques parecem estremecer todo nosso coração;
Certos detalhes nos dão certeza de que existem pessoas especiais,
Assim como você que deixarão belas lembranças para todo o sempre:
Vinicius de Moraes
sábado, dezembro 13, 2008
Confesso
Nos últimos tempos a vontade de escrever afastou-se de mim. Principalmente a escrita, esta. Aqui. Assim como o meu plano diário que passava por algumas ocupações simples - que a maioria dos humanos no mundo ocidental têm ao seu dispor e fazem parte de um direito simples ao lazer – como leitura de livros, idas ao cinema e ao teatro (que adoro), visita a exposições… foram abatidos nos últimos anos, por uma série de sentimentos, imposições e burocracias; principalmente por esta última, que só serve para aprisionar o ser humano; acorrentá-lo. Embora alguns, também existem, considerem tal aprisionamento necessário pois, afincam, sem qualquer experiência e conhecimento, esta é a única forma de andarmos todos aqui direitinhos… ou endireitados; sem poucas vergonhas, dizem outros cómo deves seres.
Eu, por minha parte, declaro por experiência própria que ando cada vez mais tombada, desanimada, desiludida e sem porra de motivação para fazer ou preencher papeis… e outros etecetras, Sempre trabalhei e muito. Criei, desenvolvi e participei em projectos vários, ocupei alguns cargos e recusei outros, escrevi textos em diferentes formas para diferentes contextos; muito para lá do meu estaminé limitado de espaço e de tempo de trabalho. Todavia, o meio em que me desloco também é dos que, entre outros existentes pelo país, atribui o mérito, por vezes, à mediocridade e à esperteza saloia… - duas características que fujo a sete pés, às quais alio a graxisse vendida ou, em determinadas situações, dissimulada. Assim, este modelo não se adequa à minha personalidade pois fode-me de várias formas e maneiras (estilo machista que abomino) e, para além do mais, coloca-me ao mesmo nível dos adoradores dos papeis e exterminadores da biologia humana, se bem me faço entender. Ah, pois é! Ah pois que não tenho medo de avaliações!
Dizem-me outros que em estado de luta não podemos baixar os braços e a ordem deverá ser sempre lutar, lutar. Mas, infelizmente, os meus braços têm andado algo enfraquecidos com o peso que lhes colocaram em cima e isso reflecte-se nos dedos que agora aqui escrevem. Talvez este não seja o vosso estado de alma, amigos que por aqui passam. Mas realmente andei a reabilitar-me de tanta insensatez humana, com a elaboração de mais projectos e respectiva concretização(!) e cada vez mais virada para e só o meu guiché de atendimento, com o relógio sobre a mesa. Eu, que burrocrata quase me confesso... Um abraço ao Manuel e ao Artur.
Eu, por minha parte, declaro por experiência própria que ando cada vez mais tombada, desanimada, desiludida e sem porra de motivação para fazer ou preencher papeis… e outros etecetras, Sempre trabalhei e muito. Criei, desenvolvi e participei em projectos vários, ocupei alguns cargos e recusei outros, escrevi textos em diferentes formas para diferentes contextos; muito para lá do meu estaminé limitado de espaço e de tempo de trabalho. Todavia, o meio em que me desloco também é dos que, entre outros existentes pelo país, atribui o mérito, por vezes, à mediocridade e à esperteza saloia… - duas características que fujo a sete pés, às quais alio a graxisse vendida ou, em determinadas situações, dissimulada. Assim, este modelo não se adequa à minha personalidade pois fode-me de várias formas e maneiras (estilo machista que abomino) e, para além do mais, coloca-me ao mesmo nível dos adoradores dos papeis e exterminadores da biologia humana, se bem me faço entender. Ah, pois é! Ah pois que não tenho medo de avaliações!
Dizem-me outros que em estado de luta não podemos baixar os braços e a ordem deverá ser sempre lutar, lutar. Mas, infelizmente, os meus braços têm andado algo enfraquecidos com o peso que lhes colocaram em cima e isso reflecte-se nos dedos que agora aqui escrevem. Talvez este não seja o vosso estado de alma, amigos que por aqui passam. Mas realmente andei a reabilitar-me de tanta insensatez humana, com a elaboração de mais projectos e respectiva concretização(!) e cada vez mais virada para e só o meu guiché de atendimento, com o relógio sobre a mesa. Eu, que burrocrata quase me confesso... Um abraço ao Manuel e ao Artur.
quinta-feira, julho 24, 2008
Gostaria estar de volta mas só me apetece aparecer aqui e dizer olá ao Manuel e ao Artur, os únicos leitores deste espaço :) Pois é, na última vez escrevi que parei, parei mesmo de escrever, histórias com graça, outras sem graça nenhuma, imaginadas ou verdadeiras, tanto faz. A escrita também é isso. Neste espaço também sempre gostei muito de parar, que muitas vezes é preciso, principalmente nos dias que correm ou decorrem ou ocorrem :) entre dias. Agora não digo nem que estou de volta nem de partida. Estou ou estive por aqui. Um abraço a estes dois amigos, com o desejo de boas férias. Divirtam-se!
sábado, fevereiro 23, 2008
Parei
Parei. Mas optei por voltar pois, este espaço, reduzido muitas vezes ao meu universo, de uns dois ou três amigos que por aqui passam e de uns não sei quantos incautos, é também um espaço que prezo muito e do qual tenho sentido muitas saudades. Explicar mais do que isto seria repetir outros posts já afixados. Logo, nada mais do que regressar. Nesta pausa que optei por fazer aconteceram muitas coisas na minha vida… Afinal, não são precisos anos para rodarmos a cabeça de pernas para baixo. Vivi momentos extremos, da filha da putice e momentos muitos felizes. Conheci bestas muito más, mazinhas, para quem pessoas são carga para canhão e pessoas extremamente inteligentes que distribuem bondade com as convicções que agarram entre punhos e com a experiência da vida. A estas últimas agradeço bastante por terem aparecido no meu caminho. Quanto às primeiras, deram-me a possibilidade de ser ainda melhor do que elas em vários domínios e esperar…. Mas a vida também é isto, como um tabuleiro em que por vezes várias peças se movem, algumas perdemos, outras ganhamos. Desta vez quase perdi, todavia o que obtive em troca foi algo de tão magnífico que jamais irei esquecer tudo o que acabei por encontrar. A tudo, mais uma vez, o meu mais sincero agradecimento. Quem é o parvalhão que canta ‘what a wonderful world’ ?
quarta-feira, janeiro 30, 2008
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Não, obrigada.
Estamos na fase de pré campanha ao referendo sobre o aborto. Nas ruas os placards publicitários estão ocupados por mensagens ora a favor do não ora do sim, que pouco dizem ou transmitem sobre a questão a referendar no da 11 de Fevereiro; são mensagens nitidamente para os decididos, sem conteúdo a ser discutido ou reflectido pelos indecisos, e que apenas indiciam que a campanha a sério está prestes a começar…
Contudo, pela net já circulam mails com direito a bolinha vermelha, principalmente contra a lei do aborto a referendar. Escuso-me a descrever pormenorizadamente todo o conteúdo dos ditos, mas constatar que muitos destes mostram essencialmente imagens agressivas de fetos mortos que, com certeza absoluta, só para quem for muito ignorante, não são decorrentes de um processo abortivo. O conteúdo subjacente às imagens em nada está relacionado com o aborto. E assim, considerando a possibilidade para lá dos antípodas que estaria efectivamente indecisa, sentir-me-ia indignada com tais opções de campanha, não pelo exposto sem o mínimo de sensibilidade, tão elevada pelos defensores do não, mas pelo atestado de estupidez que nelas está presente para quem acreditar que os fetos, com mais de 6 meses de gestação, estão mortos em sequência de um aborto. Também me preocupa… sinceramente. Pois até o momento revelam essencialmente um nítido desconhecimento da matéria que pretendem abordar e esta questão é deveras inquetante. Se assim pretendem continuar, não tenho a mínima dúvida de que os defensores do sim defrontarão adversários nitidamente inferiores intelectualmente na medida em que revelam ignorância sobre o que é um aborto, as razões de quem opta fazê-lo e pior, até quanto tempo de gestação terá de ter um feto para ser abortado, segundo a lei a referendar. Ora, com tais indícios de distorção da realidade só se pode esperar que a mesma esteja presente quando a campanha começar a sério por parte dos apoiantes do não. Quem acompanhou o anterior referendo sobre esta questão não estranhará tal situação. Na altura também foram proferidas palavras, também elas agressivas à (minha) condição feminina. Quem refere que o aborto é um anticoncepcional ou que uma mulher aborta como quem vai às compras só pode ser burro, anta, ou algo inferior, que não entende nada sobre mulheres, nem o que é ser mulher e, muito menos, sobre o que é um aborto. Contudo, devemos reconhecer que este tipo de discurso não é mais do que um reflexo da sociedade portuguesa com valores extremamente tradicionais e arcaica, com um capital cultural reduzido. Mais consistência e substância de conteúdo seria de esperar em inícios do século XXI. O caminho que insistem seguir mantém-se como há sensivelmente 10 anos, com argumentos a recordar os anos 50, 60. É pena, seria pelo menos cognitivamente mais estimulante assim, não passa da estupidez zombie de quem não vê o que se passa à sua volta. E insiste, insiste.
Contudo, pela net já circulam mails com direito a bolinha vermelha, principalmente contra a lei do aborto a referendar. Escuso-me a descrever pormenorizadamente todo o conteúdo dos ditos, mas constatar que muitos destes mostram essencialmente imagens agressivas de fetos mortos que, com certeza absoluta, só para quem for muito ignorante, não são decorrentes de um processo abortivo. O conteúdo subjacente às imagens em nada está relacionado com o aborto. E assim, considerando a possibilidade para lá dos antípodas que estaria efectivamente indecisa, sentir-me-ia indignada com tais opções de campanha, não pelo exposto sem o mínimo de sensibilidade, tão elevada pelos defensores do não, mas pelo atestado de estupidez que nelas está presente para quem acreditar que os fetos, com mais de 6 meses de gestação, estão mortos em sequência de um aborto. Também me preocupa… sinceramente. Pois até o momento revelam essencialmente um nítido desconhecimento da matéria que pretendem abordar e esta questão é deveras inquetante. Se assim pretendem continuar, não tenho a mínima dúvida de que os defensores do sim defrontarão adversários nitidamente inferiores intelectualmente na medida em que revelam ignorância sobre o que é um aborto, as razões de quem opta fazê-lo e pior, até quanto tempo de gestação terá de ter um feto para ser abortado, segundo a lei a referendar. Ora, com tais indícios de distorção da realidade só se pode esperar que a mesma esteja presente quando a campanha começar a sério por parte dos apoiantes do não. Quem acompanhou o anterior referendo sobre esta questão não estranhará tal situação. Na altura também foram proferidas palavras, também elas agressivas à (minha) condição feminina. Quem refere que o aborto é um anticoncepcional ou que uma mulher aborta como quem vai às compras só pode ser burro, anta, ou algo inferior, que não entende nada sobre mulheres, nem o que é ser mulher e, muito menos, sobre o que é um aborto. Contudo, devemos reconhecer que este tipo de discurso não é mais do que um reflexo da sociedade portuguesa com valores extremamente tradicionais e arcaica, com um capital cultural reduzido. Mais consistência e substância de conteúdo seria de esperar em inícios do século XXI. O caminho que insistem seguir mantém-se como há sensivelmente 10 anos, com argumentos a recordar os anos 50, 60. É pena, seria pelo menos cognitivamente mais estimulante assim, não passa da estupidez zombie de quem não vê o que se passa à sua volta. E insiste, insiste.
domingo, janeiro 07, 2007
Reflexo à beira mar II
EM BAIXO DA CASA
Ontem caminhando por um bairro
fora do centro, passei em baixo da casa
onde entrava quando era muito jovem.
Aí tinha-se apoderado do meu corpo Eros
com a sua força magnífica.
E ontem
quando passei pela antiga rua,
logo se embelezaram do encantamento erótico
as lojas, os passeios, as pedras,
e paredes, e varandas, e janelas;
nada aí ficou feio.
E enquanto estava, e olhava para a porta,
e estava, e me demorei em baixo da casa,
a minha substância inteira devolvia
e guardava emoção do prazer.
Konsntandinos Kavafis; trad. Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis
Ontem caminhando por um bairro
fora do centro, passei em baixo da casa
onde entrava quando era muito jovem.
Aí tinha-se apoderado do meu corpo Eros
com a sua força magnífica.
E ontem
quando passei pela antiga rua,
logo se embelezaram do encantamento erótico
as lojas, os passeios, as pedras,
e paredes, e varandas, e janelas;
nada aí ficou feio.
E enquanto estava, e olhava para a porta,
e estava, e me demorei em baixo da casa,
a minha substância inteira devolvia
e guardava emoção do prazer.
Konsntandinos Kavafis; trad. Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis
Reflexo à beira mar
À ESPERA DOS BÁRBAROS
Porque esperamos, reunidos na praça?
Hoje devem chegar os bárbaros.
Porque reina a indolência no Senado?
Que fazem os senadores, sentados sem legislar?
É porque hoje vão chegar os bárbaros.
Que hão-de fazer os senadores?
Quando chegarem, os bárbaros farão as leis.
Porque se levantou o Imperador tão de madrugada
e que faz sentado à porta da cidade,
no seu trono, solene, levando a coroa?
É porque hoje vão chegar os bárbaros.
E o imperador prepara-se para receber o chefe.
Preparou até um pergaminho para lhe oferecer, onde pôs
muitos títulos e nomes honoríficos.
Porque é que os nossos cônsules, e também os pretores,
hoje saem com togas vermelhas bordadas?
Porquê essas pulseiras com tantos ametistas
e esses anéis com esmeraldas resplandecentes?
Porque empunham hoje bastões tão preciosos
tão trabalhados a prata e ouro?
Hoje vão chegar os bárbaros,
e estas coisas deslumbram os bárbaros.
Porque não vêm, como sempre, os ilustres oradores
a fazer-nos seus discursos, dizendo o que têm para nos dizer?
Hoje vão chegar os bárbaros;
e, a eles, aborrece-os os discursos e a retórica.
E que vem a ser esta repentina inquietação, esta desordem?
(Que caras tão sérias tem hoje o povo.)
Porque é que as ruas e as praças vão ficando vazias
e regressam todos, tão pensativos, a suas casas?
É porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E da fronteira chegou gente
dizendo que os bárbaros já não vêm.
E agora que será de nós sem bárbaros?
De certo modo, essa gente era uma solução.
Konsntandinos Kavafis; trad. Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis
Porque esperamos, reunidos na praça?
Hoje devem chegar os bárbaros.
Porque reina a indolência no Senado?
Que fazem os senadores, sentados sem legislar?
É porque hoje vão chegar os bárbaros.
Que hão-de fazer os senadores?
Quando chegarem, os bárbaros farão as leis.
Porque se levantou o Imperador tão de madrugada
e que faz sentado à porta da cidade,
no seu trono, solene, levando a coroa?
É porque hoje vão chegar os bárbaros.
E o imperador prepara-se para receber o chefe.
Preparou até um pergaminho para lhe oferecer, onde pôs
muitos títulos e nomes honoríficos.
Porque é que os nossos cônsules, e também os pretores,
hoje saem com togas vermelhas bordadas?
Porquê essas pulseiras com tantos ametistas
e esses anéis com esmeraldas resplandecentes?
Porque empunham hoje bastões tão preciosos
tão trabalhados a prata e ouro?
Hoje vão chegar os bárbaros,
e estas coisas deslumbram os bárbaros.
Porque não vêm, como sempre, os ilustres oradores
a fazer-nos seus discursos, dizendo o que têm para nos dizer?
Hoje vão chegar os bárbaros;
e, a eles, aborrece-os os discursos e a retórica.
E que vem a ser esta repentina inquietação, esta desordem?
(Que caras tão sérias tem hoje o povo.)
Porque é que as ruas e as praças vão ficando vazias
e regressam todos, tão pensativos, a suas casas?
É porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E da fronteira chegou gente
dizendo que os bárbaros já não vêm.
E agora que será de nós sem bárbaros?
De certo modo, essa gente era uma solução.
Konsntandinos Kavafis; trad. Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis
sábado, dezembro 30, 2006
Reflexo Absoluto
Sou contra a execução da pena de morte de Saddam Hussein daqui a umas horas. E com isso não quero dizer que não seja contra os actos atrozes que mandou executar. Não vamos longe...Ficamos próximo de algo que não é a Modernidade; muito atrás, bem atrás, lá atrás mesmo.
Vivam 2007!!!!! E blá blá blá...
O Natal supostamente deveria ser uma época de festa e alegria e amor e saúde e felicidade e prendas e família e blá blá blá e blá blá e… A verdade verdadinha, o Natal é um pouco disto e muito de outras coisas fúteis, também necessárias, desde que doseadas com o devido equilíbrio; como o álcool, nada fútil e imprescindível à sobrevivência de qualquer indivíduo que se preze, a ser saboreado com a devida cautela. Não vá o diabo tecê-las e foder todo a nossa capacidade de raciocínio.
Por esta altura também é vulgar levantarmos o tapete da porta de entrada e ver a sujidade que não limpamos por mais um ano. Muitos ultrapassam as fronteiras do umbigo e do universo familiar, deles, muitos, e como que submersos de um estado de coma acordam todos os anos com ar espantado ÔÔ e com a boca também espantada: O, aberta, de onde saem em direcção ao chão mais uma vez palavras, a merecer atenção no espaço "Expressa-te" deste blog: como é quéééé possível?, Coitados… Olha, olha a miséria! Nã quero ver - nem deveria ver mesmo; onde está a bolinha? A sério! Esta gente não se embebeda?! Não acredito... E blá blá blá e blá blá.
Chegados a moi, mais uma vez a verdade verdadinha, posso confirmar o diagnostico feito por myself – padeço de um déficite natalício. Ora vejamos, não gosto dos pobrezinhos e das criancinhas coitados e coitadas que aparecem na televisão envolvidos pelo calor do discurso jornalístico, nem de compaixões feitas à pressa por que ficam bem, não gosto de prendas nem de enfeitar a casa porque é natal, nem de amigos natalícios, não gosto de jantares de natal com os colegas de trabalho ou almoços ou coisa que o valha, nem de muitas mensagens sms iguais…não gosto de amigos secretos, nem de peditóros natalícios, não gosto de bacalhau cozido, não gosto de… blá blá blá e blá blá. Gosto de olhar nos olhos, com movimento nas mãos e palavras soltas nos actos que se fizeram ou fazem. Gosto das cuecas altas que a tia oferece embora não as use, gosto daqueles presentes dos 300 daquela amiga, gosto do bolo-rei da pastelaria Versailles, gosto dos sonhos da minha mãe em calda, gosto daquelas coisas todas de natal feitos à mão, gosto de todas as prendas da minha avó com 90 anos, gosto dos pijamas tipo anos 80 com folhos que a minha mãe insiste em dar-me, gosto do olhar de uma criança quando recebe um abraço depois de ter recebido aquele brinquedo… e gosto muito mais daquele abraço forte da mãe, mais um natal, do olhar brilhante das tias entre chá e conversas sobre a vida de outros tempos difíceis mas felizes filha, encontros com os amigos em que se trocam as prendas pela conversa viva, e … blá blá blá e blá blá.
Já cansada de tanta bolinha, luzinha, anjinho, pai natalzinho… chego ao novo ano com lágrimas nos olhos num espaço meu, facto ainda por diagnosticar por myself com necessidade de 20 anos de psicanálise contínua. E prontossssss! Vivam 2007!!!!!
Por esta altura também é vulgar levantarmos o tapete da porta de entrada e ver a sujidade que não limpamos por mais um ano. Muitos ultrapassam as fronteiras do umbigo e do universo familiar, deles, muitos, e como que submersos de um estado de coma acordam todos os anos com ar espantado ÔÔ e com a boca também espantada: O, aberta, de onde saem em direcção ao chão mais uma vez palavras, a merecer atenção no espaço "Expressa-te" deste blog: como é quéééé possível?, Coitados… Olha, olha a miséria! Nã quero ver - nem deveria ver mesmo; onde está a bolinha? A sério! Esta gente não se embebeda?! Não acredito... E blá blá blá e blá blá.
Chegados a moi, mais uma vez a verdade verdadinha, posso confirmar o diagnostico feito por myself – padeço de um déficite natalício. Ora vejamos, não gosto dos pobrezinhos e das criancinhas coitados e coitadas que aparecem na televisão envolvidos pelo calor do discurso jornalístico, nem de compaixões feitas à pressa por que ficam bem, não gosto de prendas nem de enfeitar a casa porque é natal, nem de amigos natalícios, não gosto de jantares de natal com os colegas de trabalho ou almoços ou coisa que o valha, nem de muitas mensagens sms iguais…não gosto de amigos secretos, nem de peditóros natalícios, não gosto de bacalhau cozido, não gosto de… blá blá blá e blá blá. Gosto de olhar nos olhos, com movimento nas mãos e palavras soltas nos actos que se fizeram ou fazem. Gosto das cuecas altas que a tia oferece embora não as use, gosto daqueles presentes dos 300 daquela amiga, gosto do bolo-rei da pastelaria Versailles, gosto dos sonhos da minha mãe em calda, gosto daquelas coisas todas de natal feitos à mão, gosto de todas as prendas da minha avó com 90 anos, gosto dos pijamas tipo anos 80 com folhos que a minha mãe insiste em dar-me, gosto do olhar de uma criança quando recebe um abraço depois de ter recebido aquele brinquedo… e gosto muito mais daquele abraço forte da mãe, mais um natal, do olhar brilhante das tias entre chá e conversas sobre a vida de outros tempos difíceis mas felizes filha, encontros com os amigos em que se trocam as prendas pela conversa viva, e … blá blá blá e blá blá.
Já cansada de tanta bolinha, luzinha, anjinho, pai natalzinho… chego ao novo ano com lágrimas nos olhos num espaço meu, facto ainda por diagnosticar por myself com necessidade de 20 anos de psicanálise contínua. E prontossssss! Vivam 2007!!!!!
segunda-feira, dezembro 18, 2006
domingo, dezembro 10, 2006
sábado, dezembro 02, 2006
The Science of Sleep
Se a maioria dos filmes fosse assim iria todos os dias ao cinema! Por enquanto vou só ao fim de semana. Mas amanhã vou novamente. Só para ver Ciência dos Sonhos.
Mais uma vez.
Se a maioria dos filmes fosse assim iria todos os dias ao cinema! Por enquanto vou só ao fim de semana. Mas amanhã vou novamente. Só para ver Ciência dos Sonhos.
Mais uma vez.
Diálogos reflexivos (15)
- Sabia que o bacalhau está em vias de extinção?
- Tá? Mas isso não é problema para nós. Se não vem da Noruega vem da Islândia, da Rússia...
- Tá? Mas isso não é problema para nós. Se não vem da Noruega vem da Islândia, da Rússia...
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Existem pessoas que não sabem o que fazer à sua vidinha filha da puta... E assim devem ter um prazer especial em tentar chatear a VIDA dos outros; coitado... Já constatei após várias experiências que sempre que aqui escrevo sobre a minha vida sentimental alguma coisa sucede ao meu carro... Pois é. Mas foi a última vez! Por que a próxima vez que tal acontecer garanto que vais finalmente ver-me mas à porta do teu trabalho com uma escavadora com livre trânsito para levar o teu maravilhoso e enorme carro para a sucata. Não esperes. Tenta mais uma vez...