Ainda não vi nenhum dos filmes nomeados na categoria "best picture" mas pretendo fazê-lo segundo esta ordem:- CAPOTE; - GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK;
- MUNICH;
- BROKEBACK MOUNTAIN;
- CRASH.
Quanto aos senhores aqui em cima, eles raramente brincam em serviço, especialmente o brilhante Philip Seymour Hoffman. Para mim, estes serão os (meus) homens da noite; a concorrência não sendo forte, aborda também temas polémicos.
Informo que este blogue encontra-se em estado de repouso. Motivo: assistir a mais uma noite de entrega dos óscares, com bolinhos, chá e muito glamour no pijama.zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Mark Ryden. The Butcher Bunny.
No dia 3 de Março, num fim de tarde bastante chuvoso e com a minha sessão de cinema esgotada, haveria que pensar em algo para o meu início de fim-de-semana, num local quente, culturalmente diversificado e com pessoas disponíveis para conhecer qualquer gaja com blogue feminino ou blogue masculino, ou blogue, simplesmente. Assim, considerei ir até à livraria Almedina ouvir falar sobre blogues femininos, enquanto colocava a hipótese de cantar em cima do piano que ecoava sons muita bons pá.
Após atravessar um longo corredor, perpendicular a estantes com muitos livros reais, encontrei numa espécie de esconderijo várias tipas e muitos tipos (hummmm) a esgotar os lugares sentados e que de pé observavam-se na forma qual é o blogue desta tipa(o)?
Na tribuna encontravam-se Francisco José Viegas, Sofia Vieira, André Carvalho, Rita Silvério – as moçoilas a representarem o meu género. Sexual, claro está. Quando a Sofia começou a falar gritei: dá-lhes, vamos a eles! - gito logo contido pelos olhares reprovadores ao grito de gaja a desejar-se senhora calada. Elas falaram, falaram muito e bem mas, como sou uma tipa sincera, fiquei muito desiludida. Esperava uma reunião no formato Tapware com uma abordagem dinâmica sobre a construção de um blogue feminino. Ou seja, sobre o tipo de roupa vestem as blogueiras quando clicam no Publishh Post…, como classificariam o vestuário das blogueiras que se disponibilizaram a comparecer no encontro, como é que o período eminentemente pré mestrual afecta a elaboração dos posts, de que forma a ocupação de blogueiras tem afectado o equilíbrio emocional dos respectivos maridos e filhos, quais as consequências registadas na limpeza do lar após a leitura do suplemento comentários, de que forma o uso de saltos altos ou batom no dia-a-dia influenciam a construção pró-activa (é linda esta palavra, nova invenção Pró-moderna) do blogue… Temáticas deixadas de lado pela Rita e pela Sofia que preferiram falar objectivamente da sua experiência, não em estilo ziguezague mas na forma directas ao assunto, assuntos: comentários, leitores, temáticas, outros blogues de mulheres e, de homens e curiosidades… do interesse das moçoilas e dos moçoilos, como Pedro Mexia, considerado como o must exemplar masculino que a blogosfera merece.
No momento em que abordaram a achatada questão de censura aos sofridos comentários apagados pela blogueira, que deveria ser tolerante, conselheira, ouvinte pacífica - grande momento feminino -, comecei à cata do famoso alter-ego da Rita…Decoradas todas as características do potencial masculino e observado o radar dos olhares da esposa, consegui aproximar-me do exemplar. Analisei todas as suas curvas, especialmente o rabo e para provar um dos homens mais invejados, dei-lhe um valente apalpão. Mr. Pinheiro não disse nada. A Rita terá reparado- emitiu-me olhares não femininos mas felinos - e com a testerona a níveis elevados julgo, sem certeza, terá desejado primeiro dar-me um valente soco mas, mais adequado ao género, pensou que o melhor seria um valente puxão de cabelos. Bem, saí bem, disposta do encontro com o T.P.C. de arranjar uma foto de Javier Bardem nu, e a tempo; com a certeza de que estas divisões, em forma de pacotes, masculino/feminino levam-nos a portos pouco seguros. A abordagem sobre o que é de gaja e o que é de gajo julgo, pouco interessante. Pois, mesmo aqui em cima, à distância de um clique no next blog podemos observar exemplares a comprovar que não existem blogues femininos nem masculinos mas, pessoas em formato de blogue que podem ser de mulheres ou de homens, ou de heterossexuais ou de homossexuais ou de transsexuais ou do que lhes der na gana. Mas serão, obviamente, seres. Humanos. Que gostam muito. Muito de escrever. Nem que seja só com rasgos de imaginação.
Selina Kyle: Look! The cat is gone. There's nothing to be afraid of anymore. Now... It is your turn my darling, to take away my fear...
Bruce Wayne: I coudn´t...
Selina Kyle: I couldn´t...
Bruce Wayne: I had to...
Bruce Wayne: Selina! Oh god Selina, i almost lost you... But Crane... He's still out there... I should catch him...
Seline Kyle: Don't you always? It can wait.
Bruce Wayne: Yes... I suppose it can.
À procura de uma saída para esta semana. Mas por instantes, com uma timidez disléxica, ponho o dedo no ar, respiro fundo e aqui vai : Do cats eat bats? And do bats eat cats? Tell me the truth...
"Down, down, down. There was nothing else to do, so Alice soon began talking again. `Dinah'll miss me very much to-night, I should think!' (Dinah was the cat .) `I hope they'll remember her saucer of milk at tea-time. Dinah my dear! I wish you were down here with me! There are no mice in the air, I'm afraid, but you might catch a bat, and that's very like a mouse, you know. But do cats eat bats, I wonder?' And here Alice began to get rather sleepy, and went on saying to herself, in a dreamy sort of way, `Do cats eat bats? Do cats eat bats?' and sometimes, `Do bats eat cats?' for, you see, as she couldn't answer either question, it didn't much matter which way she put it. She felt that she was dozing off, and had just begun to dream that she was walking hand in hand with Dinah, and saying to her very earnestly, `Now, Dinah, tell me the truth: did you ever eat a bat?' when suddenly, thump! thump! down she came upon a heap of sticks and dry leaves, and the fall was over. "
Lewis Carroll. Chapter 1 - Down the Rabbit-Hole in Alice's Adventures in Wonderland. [Em qualquer livraria perto de si].
Já passou algum tempo desde o dia em que decidi criar um blogue, sem pretensões de coisa alguma, sem objectivos para obter o que quer que seja. Bastava-me experimentar este tipo de espaço onde inscrevia para um texto várias palavras nem sempre concordantes com a minha vida, por vezes nem a léguas...mas num reflexo sobre o que penso, gosto, abomino, ou sobre nada. O interesse também esteve na oportunidade de receber uma reacção a diferentes tipos de textos. Os comentários apareceram, quase sempre de forma simpática e foram eles que travaram em momentos o movimento de pressão sobre a tecla DEL.
De regresso aos reflexos passados a ferro, lamento o desaparecimento de tais comentários, quase sempre de pessoas que desconhecia e desconheço, a transmitirem boa disposição. É uma pena… Ficaram na memória humana.
Por aqui nunca fiz malabarismos, nem truques de magia para aumentar visitantes. E a publicidade junto de amigos, familiares e conhecidos foi e mantém-se quase inexistente. Isto por que sempre quis que este espaço, talvez menos do que outros, fosse uma espécie de refúgio, onde colocaria o que me desse na real gana, sem relógios ou tempos apertados. Poucos são os amigos que o conhecem e alguns sabem perfeitamente o difícil que foi confessar, não propriamente num grupo de terapia: “eu também tenho um blogue”. Ok e depois?
Por enquanto continuo, não sei até quando, até quando considerar que este espaço é útil à minha comunicação ou à comunicação de um ego (filho da puta que por vezes pega-me algumas partidas). Com alguém, que pode mesmo ser e só imaginário. Pois de imaginação também deve viver a Mulher, nem que seja entre panelas e tachos, não é o meu caso, ou entre o solário e a Wellness Center, que também não reflecte a minha pessoa. Mesmo assim, imaginem. Por exemplo, eu costumo imaginar que este amigo está aqui tão perto. E não é que ele está mesmo?
O asterisco é um moçoilo bonito, bem arranjado e muito bem disposto. Faz-se um pedido e a grande estrela que é o asterisco realiza-o, como uma espécie de mago com a sua mais que tudo lamparina. Neste fim-de-semana o asterisco emitiu entre fumos os sons do grande TOM WAITS e assim sendo, daqui envio os devidos agradecimentos com longas palmas - plack, plack, plack... Gostei e muito. Se fosse uma maga conceituada, com o livro de bruxaria bem estudado, enviaria sem demoras e burocracias adicionais uma contorcionista russa.
...quando for grande quero ser como a MADONNA; com maiô incluído. Há coisas que não se explicam.
A música invade o meu corpo, ataca-o de forma fulminante e sem sistema de suspensão ou de controlos automáticos que conduzem muitas das nossas vidas, começo a mexer os pezinhos, para lá, acolá e volta para aqui e mais um passo, que acompanho no balancé das ancas, ziguezague das costas que se encostam a um ritmo e não o largam nem por segundos. Não existe antibiótico, derivados de ansiolíticos ou qualquer coisa que valha para disfarçar o meu desejo, de dançar e de ser sugada para uma espécie de buraco, não negro, mas iluminado por diferentes notas em diferentes tons. Em diferentes tons pois, gosto de muitos tons dos diferentes estilos de música, não todos mas, muitos, ouvidos por poucos. Fujo dos muitos, gosto dos poucos mas bons. Bons. Mahler, Puccini, Chet Baker, Coltrane, Vinicius e mais e mais outros que guardo em vários cestos cheios de caixas que prendem notas, de música. E de música é feito o meu Carnaval , com uns bons copos de vinho e de Whisky numa mesa do Bairro Alto; autista aos disfarces, às máscaras e aos ovos e à farinha e ao mau-cheiro das bombas. Que se fodam as bombas! E os estalinhos que muitas vezes risquei junto às paredes de um bairro de Lisboa. Para festejar o Carnaval deixemo-nos embalar pelos especialistas que são Made in Brasil e gozemos com todos os movimentos possíveis o som do samba. Por agora faltam-me palavras para dizer mais do que isto. Talvez por que o Carnaval nunca foi muito com a minha cara e com a dele. Estamos quites.
O tempo é quase sempre tramado, quando constatamos o pouco tempo que nos resta. Independentemente do tempo que seja, façamos pelo menos nosso, o tempo. Hoje fui ver um filme de outros tempos, dos loucos anos 20, de 1927, e fiquei mais uma vez deliciada pois, embora velhinho, em que das salas de cinema soavam, não grunhidos, mas violinos, trompetes, pianos, e palavras em tamanho máxi num écran, este filme coloca muitos dos actuais na lama, no sub-solo, nos limites da crosta terreste. Sunrise, realizado por F.W. Murnau, Aurora em Portugal, é um filme que possui doses suficientes de drama e romantismo, humedecidas em valores vintage, no estado dictómico de bem/mal; família/caso ilícito; campo/cidade; vida/morte... e que em poucos 106 minutos deixaram-me a salivar e a desejar ver mais e mais uma vez os inúmeros pormenores representativos de uma época: guarda-roupa, sentido estético, planos, efeitos... ; convertidos mais tarde em reflexos. Neste tempo que também é louco.
- Tem o Diário de Notícias?
- Não. Já não tenho. Mas tenho o Público, o Independente, o 24 Horas...
- Tem o jornal Diário de Notícias?
Para namorar. Numa bossa. Nova. Junto ao amor. Quente. Num dia de Inverno. Fica aqui. Aqui mesmo, à disposição de qualquer um, ou dois, Bossanova.fm - uma delícia!
Bem, está quase xuxubeleza... Andei a manhã toda por aqui no tira e põe, no mete e deita fora. Agora só falta limpar algum lixo, organizar mais uns arquivos, limpar o pó e encerar o chão e... (com bicos de papagaio e de cotovia e de galinha)... TCHAN!
Põe aqui, tira dali, acrescenta acolá e estica aqui mesmo, próximo daquilo ali. E eis o resultado... Já é tarde. Talvez amanhã resolva o problema. Talvez.
" Fora Mónica que conquistara Pedro, que o levara para a cama; que o desejara logo, mal o descobrira junto da janela, a olhar o crepúsculo de uma primavera tardia e ventosa, em casa de uns amigos comuns perto da Fonte Luminosa.
Fascinara-a a cor escura da sua pele, o olhar enlanguescido, fugidio, a extrema magreza do corpo alto, a ternura acentuada das mãos longas, o cabelo sedoso, caído sobre a testa.
Primeiro desejou impaciente tocar-lhe o peito, depois imaginou-lhe as nádegas ásperas, os ossos salientes das ancas, o sexo grande. E o seu corpo enrijeceu: os bicos dos seios, a língua, o clítoris, um sumo grosso a formar-se já no interior da vagina. E uma curtíssima vertigem fê-la vacilar em tudo nada, acabando por se encostar ao vão da janela onde os dois permaneceram imóveis, sentindo apenas a aproximação um do outro.
Os fluidos um do outro.
(...)
Mahler. Mónica tentava isolar-se, quando ouvia Mahler: o rosto escondido pelos punhos cerrados, a testa apoiada nas palmas das mãos. Quase gemia, mas ainda calava a suspeita daquilo que no seu coração se acoitava. Mahler. (...)"
Maria Teresa Horta. Mónica, in Intimidades. Publicações Dom Quixote.
Adieu minetteSous tes cheveux beaucoup trop blonds
Décolorés ça va de soi
T'avais une cervelle de pigeon
Mais j'aimais ça mais j'aimais ça
Au fond de tes grands yeux si bleus
Trop maquillés ça va de soi
T'avais que'que chose de prétentieux
Que j'aimais pas que j'aimais pas
J'avais la tignasse en bataille
Et les yeux délavés
Je t'ai culbutée dans la paille
T'as pris ton pieds
Adieu fillette
Nous n'étions pas du même camps
Adieu minette
Bonjour à tes parents
Tu m'as invité à Deauville
Dans ta résidence secondaire
Je m'suis fait chier comme un débile
Dans cette galère dans cette galère
Tu m'as présenté tes copains
Presqu'aussi cons qu'des militaires
C'était des vrais Républicains
Buveurs de bière buveurs de bière
Le grand type qui s'croyait malin
En m'traitant d'anarchiste
Je r'grette pas d'y avoir mis un pain
Avant qu'on s'quitte
Adieu fillette
Nous n'étions pas du même camps
Adieu minette
Bonjour à tes parents
Mais quand t'es rentrée à Paname
Super fière de ton bronzage
T'as pas voulu poser tes rames sur le rivage
C'est une image
Tu m'as téléphoné cent fois
Pour que j'passe te voir à Neuilly
Dans ton pavillon près du bois
Et j'ai dit oui et j'ai dit oui
J'suis v'nu un soir à ta surboum
Avec 23 d'mes potes
On a piétiné tes loukoums
Avec nos bottes
Adieu fillette
Nous n'étions pas du même camps
Adieu minette
Bonjour à tes parents
Faut pas en vouloir aux mariolles
Y z'ont pas eu d'éducation
A la Cour Neuve y a pas d'école
Y a qu'des prisons et du béton
D'ailleurs y z'ont pas tout cassé
Y z'ont chourravé qu'l'argentrie
Ton pote qu'y f'sait du karaté
Qu'est-ce qu'on l'ya mis qu'est-ce qu'on l'ya mis
Ton père j'l'ai traité d'enfoiré
Excuse auprès de lui
Si j'avais su que c'était vrai
J'y aurai pas dit
Adieu fillette
Nous n'étions pas du même camps
Adieu minette
Bonjour à tes parents
Maintenant j'ai plus envie d'causer
Tu dois déjà avoir compris
Qu'on est pas né du même côté
D'la bourgeoisie d'la bougeoisie
Arrête une minute de chialer
Tu vois quand même que j't'oublie pas
Je t'téléphone en PCV
De Nouméa de Nouméa
Ça fait 3 s'maines que j'suis bidasse
L'armée c'est une grande famille
La tienne était moins dégueulasse
Follement la quille
Adieu fillette
Nous n'étions pas du même camps
Adieu minette
Bonjour à tes parents.
Renaud
Agora com o tempo em acção é tempo de dizer que quando apareceu a notícia sobre um conjunto de cartoons publicados há uns meses no reino da Dinamarca e na reposição há uma semana, achei tudo uma grande paneleiragem e, com a devida precisão dos factos, fiz uma espécie de zapping … e continuei a minha vida rodeada de livros e histórias bem mais interessantes. Contudo, esqueci-me, sim sou eu, que apesar do meu mundo dito ocidental ter esfolado as estupinhas para obter um bem mais valioso do que o último prémio do euromilões - a liberdade de expressão -, esta maravilha num mundo disfarçadamente global ainda não chegou a uma parte de pessoas que desconhece os meu prazer em vestir uma saia, calçar botas pretas brilhantes de cano alto, de abrir o peito e deixar o vermelho luzir nos meus lábios. Em contrapartida, oprimem o indivíduo, em particular a mulher, em ostracismos permanentes à diferença e à afirmação plena do ser humano.
As reacções violentas promovidas por um cada vez mais perigoso fundamentalismo islâmico radical, filhos da puta, que entre muitas outras coisas desejam ver TODAS as mulheres de burka, com soiotes até ao pescoço e disponíveis a serem pontapeadas, por causa de uns cartoons da merda, ofenderam-me, revolveram-me o estômago e provocaram-me o vómito, com sofrimento. Mas ser obrigada a ficar de cócaras, frente a um conjunto de cães com raiva, comandados por uma campainha, e proferir desculpem-me por aqui sermos livres e fazermos estas coisas div…horríveis – envergonha-me e ofendem-me ainda mais enquanto cidadã europeia livre e perante toda a história de conquista de liberdades.
Depois de Kant, Rousseau, Locke e Tocqueville, entre muitos outros, deixarem-nos a mensagem tentem ser felizes e de Nietzsche ditar morte a Deus, não posso consentir que uns gajos que só reconheço em actos terroristas, violações várias às mulheres, decapitações a pessoas inocentes… digam-me como um menino mau com birra, destruindo embaixadas e incendiando bandeiras que, afinal, não posso meter conversa com Maomé.